Síndrome da Fibromialgia


Pela medicina tradicional

A síndrome da fibromialgia é uma doença recente para a medicina tradicional, cuja a reclamação básica de seus portadores são dores difusas no sistema muscular e esquelético, principalmente nas articulações; de caráter não inflamatório, acima e abaixo da cintura, se manifestando tanto do lado direito quanto esquerdo do corpo.

É considerada síndrome pelo amplo quadro de sintomas que o portador da fibromialgia relata, que vão de dores amenas a severas, formigamentos e “queimação” em vários pontos do corpo todo, impedindo que se mova ou fique parado na mesma posição por um longo período.


Características dos Portadores

A maior parte  dos indivíduos portadores da síndrome da  fibromialgia são do sexo feminino (80 a 90% dos casos) com uma maior incidência na faixa dos 30 aos 50 anos. Antinge mais freqüentemente pessoas de melhor nível social e educacional. Especula-se que as mulheres sejam mais propensas a doença devido ao seu sistema nervoso central produzir menos serotonina (um neurotransmissor, isto é, uma molécula envolvida na comunicação entre as células do cérebro - neurônios), além das alterações hormonais na TPM e por causa da jornada dupla de trabalho.

Geralmente estão associados ao perfil do portador da síndrome da fibromialgia os quadros de distúrbios de humor como  a depressão, presente em pelo menos 50% dos casos. Como a depressão também é de diagnóstico clínico e com um espectro de sintomas bem extenso e variável a cada indivíduo, algumas lacunas ficam abertas tanto na caracterização da doença (fibromialgia e depressão)  quanto no tratamento que ainda está longe de amenizar ou sanar de forma eficiente o sofrimento dos portadores.

Outra característica associada ao perfil do indivíduo portador da síndrome da fibromialgia, é a disposição exagerada ao trabalho ou as atividades em geral, não percebendo os limites de exaustão do corpo físico, se sobrecarregando de atividades e responsabilidades que impedem o relaxamento ou o descanso que se considera normal. Ultrapassam facilmente seus limites de energia e sua resistência física quando engajados em tarefas profissionais ou domésticas.


Sintomas

Os sintomas variam de intensidade de pessoa para pessoa, podendo começar a se estabelecer (ou ser mais facilmente percebida) a partir de dores na região dos ombros ou no alto da coluna e no pescoço, podendo tornar-se generalizada numa segunda etapa da doença.

Outros sintomas são  o cansaço, muitas vezes reconhecido como crônico, sono não reparador não chegando a ser uma insônia mas, caracterizando-se como um sono leve que faz com que os portadores acordem cansados; cefaléia, dormência nos braços e nas pernas, síndrome do cólon irritável, sensibilidade ao frio – as dores se intensificam no inverno, sensibilidade durante a micção, vertigem, dificuldade de concentração, boca e olhos secos, taquicardias, ansiedade  e irritabilidade.

A disposição mental e emocional do indivíduo portador desta síndrome influi diretamente na intensidade dos sintomas, pois quando os mesmos atravessam períodos de dificuldades, contrariedades e stress, se tornam por demais queixosos de dores lancinantes que percorrem o corpo todo, prejudicando a normalidade das suas atividades profissionais e domésticas diárias, quando não às  impedem completamente.  Quando os portadores atravessam fases positivas não encontrando contrariedades ou dificuldades, muitas vezes os sintomas praticamente desaparecem.

Alguns estudos revelam que os sintomas da síndrome da fibromialgia podem ser decorrentes da diminuição dos níveis de serotonina  e um aumento dos níveis de substância P (que é um potente vasodilatador) produzidas no sistema nervoso central possivelmente em indivíduos já pré-dispostos geneticamente.


Diagnóstico

O diagnóstico da doença é clínico e o indivíduo é caracterizado como portador da síndrome da fibromialgia se atingir aproximadamente 50 % dos sintomas.

Apesar das dores e de todo o incômodo  dos sintomas, a doença não causa deformação de nenhum tipo em nenhum dos membros e nem limitação física permanente e, talvez por isso, muitas vezes é considerada erradamente um problema reumático.


Fatores de Risco

Os possíveis fatores de riscos para um quadro de fibromialgia se estabelecer são:

•excesso de atividades, excesso da jornada de trabalho;

•pouco apoio para as atividades profissionais nas empresas;

•excesso de atividade mental em trabalhos monótonos;

•utilização inadequada de material de trabalho ou materiais inadequados para a realização  das atividades profissionais;

•técnicas e posturas incorretas para a realização das tarefas;

•ambientes impróprios e insalubres de trabalho;

•depressão e ansiedade;

•stress;

•pouco apoio familiar;

•solidão; e

•lazer insuficiente.


Tratamentos

O tratamento geralmente é feito em duas vertentes paralelas que são através dos medicamentos e pelas atividades físicas.

Os medicamentos normalmente indicados são os antiinflamatórios, cuja ação é bem pouco eficiente, os antidepressivos e ansiolíticos sendo estes de maior eficácia, apresentando resultados bastante satisfatórios em alguns indivíduos.

Os exercícios podem ser os de alongamento, as hidroterapias e as atividades que melhoram a condição cardiorespiratória. Todos os exercícios devem ser realizados regularmente mas de intensidade marcadamente lenta e progressiva. Em alguns casos são indicadas seções de fisioterapia com bons resultados na atenuação dos sintomas.

Não é descartada a psicoterapia quando os quadros de depressão e ansiedade são  bem definidos.  As seções de acupuntura que aliviam as dores, as técnicas de relaxamento, eletro-estimulação, as terapias comportamentais e muitas terapias integrativas e complementares entre elas, florais, sacro-craniana, massagens, PNL, ortomolecular, etc,  também são considerados como alternativas de tratamento.


Pela Psicossomática

O que se conhece atualmente sobre a psicossomática da síndrome da fibromialgia, e trata-se apenas de uma teoria, é basicamente o arrependimento e a omissão das suas próprias necessidades em detrimento ao ímpeto de suprir as necessidades, reais ou imaginárias, dos outros. Estes indivíduos não obtiveram, ou não conseguiram perceber, o apoio e a colaboração dos que estavam a sua volta então, sem forças para tomar atitudes em relação as suas próprias vidas, sucumbiram  às necessidades alheias. Estes indivíduos não conseguiram acessar em si um senso de independência e auto-estima fortes o suficiente  para romper com o estabelecido como conduta a sua volta.

O arrependimento leva à culpa ou à consciência da possibilidade de um proceder diferente. Como estes indivíduos têm dificuldades em mudar a conduta do que já está estabelecido, a culpa acaba por ser o caminho mais natural, intensificada quando não conseguiram estar a altura de alguma necessidade dos que o rodeavam. Assim, provavelmente ultrapassaram seus próprios limites sucessivamente na tentativa de corresponder.


Observações Pessoais

Muitos dos portadores tem duas características básicas: excesso de responsabilidade e muita ansiedade. Ambas as características os impedem de se sentirem livres para viverem as suas vidas de forma plena e de acordo com o que pensam que seriam suas posturas originais.

São pessoas que geralmente exageram no empenho e nota-se uma dramaticidade nos seus atos e nos relatos, ampliando suas reações e reforçando os sintomas  da síndrome; a dramaticidade não invalida as dores, desconfortos e impedimentos que sentem; afinal, são portadores de uma doença.

Por serem portadores de uma síndrome que causa tamanho desconforto, com um amplo espectro de sintomas, chamam muito a atenção sobre si mesmos  e se tornam muitas vezes o centro das atenções no âmbito familiar ou social, quase como mártires já que, mesmo com toda a sorte de dores e desconfortos, nunca deixam de ajudar quem eles  pensam precisarem  de ajuda.

Outra característica, é a insistência em  reconhecer a doença no corpo e não relacioná-la, em quase nenhum âmbito, com as suas posturas mentais e emocionais. Num primeiro momento pensa-se que isso acontece porque são tão ansiosos que não conseguem se concentrar no que é explicado sobre a doença, seus sintomas e tratamento. Mas, existe também a possibilidade da negação de querer rever verdadeiramente a sua postura mental e emocional, a ponto de que, quando próximos de algumas etapas importantes da terapia, na quase superação de alguns sintomas, desistem ou abandonam o tratamento; numa relutância em ver-se realmente e num “apego” ou na manutenção dos sintomas. Nesses momentos tornam-se fechados em si mesmos  não possibilitando a interação de forma terapêutica com eles.

De certa forma, parecem resignados  com a síndrome. Queixam-se dos sintomas, buscam tratamentos para amenizá-los mas acreditam que não têm cura; mais cedo ou mais tarde os sintomas voltarão.

E, finalmente a última observação, feita em muitos indivíduos portadores desta síndrome, é a capacidade de deixar de lado as sensações de dor e desconforto quando  eles estão focados em outros acontecimentos ou conteúdos. Quanto mais distante estiver a sua atenção dos sintomas da fibromialgia, menos eles reclamam deles; quanto mais  focados estão nos sintomas, mais fortes eles se tornam.

A intenção não é enquadrar indivíduos em determinados padrões psicológicos ou psiquiátricos reconhecidos pela sociedade, pelos acadêmicos ou pela ciência. Mas, é inevitável fazer alguns paralelos entre o transtorno de personalidade histriônica e as características observadas em alguns indivíduos portadores da síndrome da fibromialgia.

Quando algumas características (traços) da personalidade impedem ou limitam a atuação de um indivíduo a agir e reagir no mundo, deixando de ser apenas um tipo de personalidade mas trazendo prejuízo, pode caracterizar-se por um transtorno de personalidade.

O transtorno de personalidade histriônica dota a personalidade de características exageradas, dramáticas , podendo apresentar acessos de mau humor, lágrimas e brigas, quando não se percebem como o centro das atenções. Este transtorno é mais freqüente nas mulheres.

As características da personalidade histriônica são reversíveis e não obedecem a fisiologia médica reconhecida. Eles são uma representação emocional de algum conflito de seu corpo e seu funcionamento; não se tratando de uma simulação.

Cada vez mais associa-se a depressão aos quadros histriônicos. Pesquisas (1995) revelaram que 38% dos diagnósticos psiquiátricos associados a personalidade histriônica, é a depressão. Principalmente na histeria conversiva, que é um transtorno cujo sintoma apresentado é em resposta ou reação a alguma emoção ou evento traumático, que se manifesta por sintomas que sugerem uma doença neurológica como paralisias, afonias, convulsões, etc, e na histeria de somatização, que se caracteriza pela transferência do psíquico para o orgânico. Isto significa que além do traço histriônico deve haver também no indivíduo uma reação emocional exuberante, uma vivência emocional exagerada.

Algumas características do transtorno de personalidade histriônica:

•o traço histriônico é representado por seu caráter afetado, exagerado e exuberante com uma notável capacidade de chamar atenção;

•sintomas bizarros e incomuns como a afonia, a cegueira, dores ou anestesias localizadas ou enxaquecas, contraturas musculares, alterações motoras, entre outras.

•Idealização dos sintomas; isto não significa que a doença é intencional ou involuntária mas há um planejamento inconsciente e uma incapacidade de libertar-se deles voluntariamente;

•Entendem-se por pessoas com grande capacidade de sedução ou hiper-sexuais;

•Os sintomas não tem substrato físico,  a maioria não é diagnosticado laboratorialmente;

•Relutância em reconhecer o seu componente emocional no processo de adoecimento, tendendo a localizar a doença somente no corpo;

•Tendência a abandonar o tratamento para manter presentes os sintomas quando estão próximos da cura;

•Aceitam o “seu destino cruel”  e as vezes relatam de forma indiferente sérias limitações como a locomoção ou a cegueira por exemplo, assumindo um papel de vítima e mais uma vez chamando a atenção sobre si;

•Dependência emocional;

•Sugestionabilidade. Entre outras características.


É muito importante ressaltar que são muitas as características da personalidade histriônica e as apresentadas aqui são apenas algumas que mais se aproximam das peculiaridades das personalidades de alguns indivíduos portadores da síndrome da fibromialgia.

O transtorno de personalidade histriônica  é de difícil diagnóstico porque os indivíduos apresentam algumas das características e não todas. Portanto, indivíduos histriônicos apresentam  as vezes características diferentes apesar de haver o entendimento de que sofrem do mesmo transtorno.

A idéia de fazer este paralelo é simplesmente aumentar o campo de visão sobre a síndrome da fibromialgia e não enquadrá-la como uma doença do transtorno de personalidade histriônica. A expectativa é contribuir com mais um ângulo para o pensar sobre esta doença.

Comportamento e Enfermidades

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